segunda-feira, 6 de setembro de 2010

E você vai fugir de você, porque assim há de ser. Mas eu, vou estar aqui, no escurinho da sua única certeza, te esperando com o amor que eu nunca duvidei poder te dar. 
Rani Ghazzaoui 


Quando chegar o momento, morrerei por alguma das mazelas desse mundo, menos por covardia afetiva. Desse mal, de antemão, eu sei que não morro. Não mais.


 

Como faz com toda gente, a vida já aprontou tantas comigo, já me testou emocionalmente de tantas maneiras, já cansou tanto a minha beleza com suas armadilhas medidoras de fé, que, no fim das contas, ou aqui bem no meio delas, ela me trouxe a graça e a liberdade de experimentar viver com um coração que não é de todo valente, mas que é humano. Coração humano é feito para o afeto, quer a gente consiga viver ou não esse chamado. Coração humano é feito as borboletas, imaginado para espalhar pólen de luz, alegria, bondade, amor, de incontáveis jeitos, nesse imenso jardim, com a vantagem preciosa de geralmente viver muito mais tempo do que elas. Coração humano, por essência, é criador de beleza. É rascunho de Deus pra gente passar a limpo. E quanta dor acontece, meu Deus, porque a gente não passa. 
Que me desculpem os apáticos: não tenho medo de sentir, eu sinto muito.

Ana Jácomo


sábado, 4 de setembro de 2010

"Minha aparência é péssima, a mente e o corpo exaustos. Mas existe uma tranqüilidade estranha. Não tenho mais nada a perder. Não sabia que o mundo era assim duro, assim sujo. Agora sei. Tenho apenas essa consciência, que só a loucura ou uma lavagem cerebral poderiam turvar."


Caio F.
Fiz fantasias. No meu demente exercício para pisar no real, finjo que não fantasio. E fantasio, fantasio. Até o último momento esperei que você me chamasse pelo telefone. Que você fosse ao aeroporto. Casablanca, última cena. Todas as cartas de amor são ridículas. 
Esse lugar confuso de que fala Caetano. 
E eu estava só começando a entrar num estado de amor por você. Mas não me permiti,
 
C.F.A
"Isso tudo nunca foi pra mim nunca funcionou, é sempre eu que caio, de amores, ilusões, dores e no final de tudo eu fico aqui, esperando esse trem, pra me levar para a proxima estação, onde eu possa finalmente criar uma nova ficção na minha cabeça, uma nova atração para os meus olhos, uma nova paixão pro coração, e quem sabe, um final pra este roteiro."

- Caio Fernando Abreu
[...] Não me fales "gosto daquilo" que já estarei gostando junto. Evite comentários.
Não me digas "vamos naquele restaurante" que será mais um lugar para te esperar. Não inventes deitar na grama no domingo que o sol grudará nos dentes.
Não narres aos ouvidos da cama o que podemos sentir.
Não ponhas trilha no celular, não troques as almofadas, não escolhas as toalhas e os lençóis, controla essa mania de se espalhar por tudo, de botar teu cheiro por dentro de minha boca.
Não abras mais o leite sem romper o lacre, não deixes a gaveta entreaberta, a torneira entreaberta, meu corpo entreaberto. Não reclames do que não fiz, que farei de novo para chamar tua atenção.
Não arrumes minha gravata, que me acostumarei a pedir conselhos. Não arrumes minha gola que o vento é mesmo enviesado. Quero te conhecer menos para não sofrer depois tanto tua perda.
 
... Mas deveria ter dito isso antes.
 
Fabrício Carpinejar
Até onde podemos ir? Até o limite do suportável.
Um belo dia, depois de inúmeras repetições do mesmo erro, a gente desiste.
Com tristeza pela perda, mas com alegria pela descoberta, diz pra si mesmo:
cheguei até aqui. E, então, a vida muda.



[Martha Medeiros]
Não me mande mais nada. Não me dê lembranças, músicas, poemas, sapatos, isqueiros, não quero juntar esmolas de tuas coisas, não quero fazer um santuário de tuas coisas, não quero encaixotar tuas coisas, não
quero peregrinar as mãos em tuas coisas como se fosse tua mão esperando na mesa.
Eu jamais chegaria aonde cheguei se só andasse em linha reta.
Tive que voltar atrás, andar em círculos,
perder dias,
perder o rumo,
perder a paciência e me exaurir em tentativas aparentemente inúteis pra encontrar um quase endereço,
uma provável ponte: a entrada do encontro...
Acertei o caminho não porque segui as setas,
mas porque desrespeitei todas as placas de aviso.

(Marla de Queiroz)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010




A verdade é que dei espaço demais:
E tem sentimentos que desmerecem hospitalidade.

Patty Vicensotti