quarta-feira, 1 de setembro de 2010


Andei amando loucamente, como há muito tempo não acontecia. De repente a coisa começou a desacontecer. Bebi, chorei, ouvi Maria Bethânia, tive insônia e excesso de sono, falta de apetite e apetite em excesso, vaguei pelas madrugadas, escrevi poemas (juro). Agora está passando: um band-aid no coração, um sorriso nos lábios – e tudo bem. Ou: que se há de fazer? 
Caio Fernando Abreu
Não te tocar, não pedir um abraço, não pedir ajuda, não dizer que estou ferido, que quase morri, não dizer nada, fechar os olhos, ouvir o barulho do mar, fingindo dormir, que tudo está bem, os hematomas no plexo solar, o coração rasgado, tudo bem.
Caio Fernando Abreu
Cuidado com as ilusões, mocinha, profundas e enganosas feito o mar. 

 Caio Fernando Abreu


As vezes, o medo é um aviso. É como se alguém pussesse a mão no seu ombro e dissesse: não dê mais um passo.”
              - Anne Rice
Uma tristeza que nada, nem ninguém conserta. É assim que se começa a partir?

Caio Fernando Abreu
Tem dor que vira companhia. Olhando de perto, faz tempo que deixou de doer, só tem fama, mas a gente não solta. Quem sabe, pelo receio de não saber o que fazer com o espaço, às vezes grande, que ficará desocupado se ela sair de cena. Vazio é também terreno fértil para novos florescimentos, mas costuma causar um medo inacreditável.
Quando, finalmente, criou coragem e deixou de dar casa, comida e roupa lavada para a tal dor, ela desapareceu.


-Ana Jácomo
Vou me desligar de você, e de qualquer roupagem que te traga junto...
Em muitos trechos do caminho, às vezes bem longos, carregamos muito peso na alma sem também notar.
A gente se acostuma muito fácil às circunstâncias difíceis que às vezes podem ser mudadas.
A gente se adapta demais ao que faz nossos olhos brilharem menos.
A gente camufla a exaustão.
A gente inventa inúmeras maneiras para revestir o coração com isolamento acústico para evitar ouvi-lo.
A gente faz de conta que a vida é assim mesmo e ponto.
A gente arrasta bolas de ferro e faz de conta que carrega pétalas só pra não precisar
fazer contato com as nossas insatisfações e agir para transformá-las.
A gente carrega tanto peso, no sentimento, um bocado de vezes, porque resiste à mudança.
Até o dia em que a alma, cansada de não ser olhada, encontra o seu jeito de ser vista e de dizer quem é que manda.


(Ana Jácomo)
Não, eu não me esforço pra que ninguém goste de mim, e isso é fato, mas quando gosto... ah, quando eu gosto é um verdadeiro problema. Sim, eu considero um grande problema me apaixonar (ou qualquer sinônimo ridículo pra esse sentimento ridículo), porque eu me torno idiota. Eu tento agradar a todo momento, me preocupo pra que o mínimo detalhe seja milimétricamente calculado e executado com o maior sucesso, eu quero que tudo seja lindo e, que quando eu fale, saia bolhas da minha boca em formato de coração... enfim, eu faço de tudo pra fazer parte de só mais um casalzinho agoniante.

Tati Bernadi
"Prometeu a si mesma: Não me caberá mais nenhum drama. Só terei esperanças e perspectivas.
Quando algo ensaiar doer, sentirei sono porque acordo cedo no dia seguinte.
Quando um amor ameaçar acabar, lavarei a louça enquanto espero a champagne gelar.
Sempre haverá essa espera por finais: De semana, de campeonatos, de novelas.
Tudo será esperança de um final eterno desse drama.

(E seguiu comendo os louros que deveria apenas colher...) "
 
[Marla de Queiroz]